Como evitar lesão na mulher atleta
Dr. Thiago Righetto

Dr. Thiago Righetto

Como evitar lesão na mulher atleta

Nos últimos anos a participação feminina nos esportes aumentou significativamente. Com isso é importante entender os aspectos anatômicos e fisiológicos que predispõem essas atletas à lesão e a melhor forma de evitá-las.

Os tipos de lesões mais comuns são os traumas agudos (entorse, contusão) e as por “overuse”, sendo as lesões do ligamento cruzado anterior, a síndrome patelo-femoral do joelho e as fraturas por estresse as mais prevalentes.

Como evitar lesão na mulher atleta

Mas quais são as diferenças físicas comparadas aos homens?

– A bacia feminina é mais larga, tornando os joelhos mais valgo (para dentro), causando um aumento da instabilidade articular, anormalidades femoro-patelares e aumento da pronação (rotação interna) do pé.

– Apresentam uma maior predisposição para desenvolvimento do hálux valgo (joanete) e deformidade dos pequenos dedos.

– Possuem maior mobilidade articular (quadris, joelhos, ombros e cotovelos) devido a uma maior produção do hormônio relaxina, elevando o risco de lesões ligamentares.

– Tamanho e volume muscular reduzido, piorando a estabilização dinâmica das articulações.

E as diferenças fisiológicas?

  • menor densidade óssea e índice de massa corporal.
  • maior percentual de gordura corporal (média 24%).
  • Andrógenos (maior massa muscular nos homens) x Estrógenos (aumento da taxa de gordura na mulher).
  • menor gasto energético.
  • menor tamanho do coração e pulmão, diminuindo a pressão arterial sistólica e diastólica e VO2max em torno de 15% menor (volume máximo de oxigênio que o corpo consegue utilizar para produzir energia).
  • menor capacidade oxidativa, levando a fadiga periférica.

Principais lesões:

  • Ligamento cruzado anterior do joelho: são de 6 a 8 vezes mais susceptíveis, principalmente pelas alterações físicas. A fadiga aumenta o estresse ligamentar. Alguns estudos mostram que durante o ciclo menstrual, pelas alterações hormonais, o risco de lesão é ainda mais alto. A forma mais eficaz de evitar a lesão é com a prevenção, desde as categorias de base, principalmente com exercícios de propriocepcão e pliometria.
  • Síndrome patelo-femoral: estalido e dor anterior no joelho são os principais sintomas (sim, estalido NÃO é normal!). Dor ao agachar, subir e descer escadas, e principalmente para correr. Evolui com artrose (desgaste) da articulação patelo-femoral e condromalácia (amolecimento da cartilagem da patela). Acomete em torno de 20% das atletas. Alteração mais comumente encontrada é a falta de alongamento e fortalecimento da musculatura do quadril e coxa, levando a um desalinhamento patelar e sobrecarga da articulação. Tratamento clínico é muito eficaz, porém se não ocorrer melhora em torno de 6 meses o seu médico pode lançar mão de infiltração com ácido hialurônico (que melhora a reação inflamatória e o deslize da patela) e até em alguns casos pode ser necessário o tratamento cirúrgico.
  • Fratura por estresse: lesões por “overuse” (excesso de carga de treinamento e recuperação inadequada). Incidência até 3 vezes maior que nos homens, com prevalência maior em mulheres amenorréicas (que não menstruam). Esportes mais envolvidos é a corrida e o basquete. Ossos mais afetados são a tíbia (perna), colo do fêmur (quadril), metatarso (pé) e pelve (bacia). Diagnóstico é feito pelo exame físico e exames de imagem (cintilografia e ressonância magnética – o RX pode não mostrar esse tipo de lesão). Tratamento geralmente é conservador com repouso inicialmente e retorno gradativo aos treinos, porém as vezes pode ser necessário cirurgia.

E o que é a TRÍADE DA MULHER ATLETA?

Não é uma lesão propriamente dita, mas uma importante doença encontrada principalmente em atletas de alto rendimento e frequentemente “subdiagnosticada”. Inicialmente definida por distúrbios alimentares, amenorréia e osteoporose (diminuição da densidade óssea). Em 2007 o ACSM (American College of Sports Medicine) caracterizou como uma baixa disponibilidade de energia no organismo (com ou sem distúrbio alimentar), distúrbios menstruais e osteopenia ou osteoporose.

A PREVENÇÃO é o mais importante, com rastreamento contínuo pelo médico do esporte, na fase de pré-participação esportiva e revisado anualmente. Se encontrado um dos componentes da tríade, um acompanhamento mais próximo é necessário. Importante fazer um trabalho de conscientização das atletas e um acompanhamento multidisciplinar com psicólogo e nutricionista.

Dicas para atletas amadoras para evitar lesões:

  • ênfase no fortalecimento do “core” para diminuir o estresse nos membros inferiores.
  • fortalecimento da cintura escapular e musculatura dos ombros, para diminuir a frouxidão nessa articulação.
  • fortalecimento e alongamento da musculatura do quadril e da coxa, principalmente do músculo vasto medial obliquo (VMO), para melhorar a mobilidade da patela.
  • minimize a carga na articulação patelo-femoral do joelho, ou seja, faça exercícios com um arco de movimento reduzido, evitando a hiperflexão ou hiperextensão do joelho. Faça leg press ao invés do agachamento ou afundo.
  • faça exercícios para os membros superiores na altura dos ombros e abaixo, para diminuir o estresse na musculatura do manguito rotador enquanto o ombro ainda não estiver fortalecido (evitando por exemplo o desenvolvimento no aparelho ou com peso livre)
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